sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Aula 3:Romantismo


Romantismo(1836-1881):Um dos mas importantes movimentos literários,ele faz uma "revolução" no estilo dos poetas escreverem,pensarem, o que era só o bonito, agora vem o feio,os escritores nesta época vivem também em conflito entre o amor(que se intitulam como sentimento puro,paz,) e o desejo carnal(que pela concepção de religião era pecado pensar na amada como só prazer carnal).
O Romantismo é dividido em 3 fases:
1ª Geração:INDIANISTA:Nacionalismo a flor da pele,os personagens são ingênuos,os poetas são patriotas.Moemas,Iracema.
2ª Geração:ULTRA-ROMANTISMO:Personagens morrer por amor, o amor deles serem perfeitos.Alvares de Azevedo,O Seminarista.
3ª Geração:CONDOEIRA:Liberdade, um tipo de poesia mais erotizada.
ANÁLISE:Esse quadro de um pintor Brasileiro foi da 1ª geração do romantismo(Indianismo) ele resalta uma índia que certamente resultou em paixões.Vemos contrastes em vermelho no fundo, típico do romantismo,simbolizando paixão,fogo,Moema nessa figura pareçe quem teve uma grande "emoção" e está cansada,satisfeita,adormecida,resaltando bem o corpo dessa, também voltando a citar o conflito entre o amor puro e o desejo carnal.
Bom,vou postar um trecho do livro que eu adoroooooo que é o Seminarista de Bernardo Guimarães.
Era uma bela tarde de janeiro. Dois meninos brincavam à sombra das paineiras: um rapazinho de doze a treze anos e uma menina, que parecia ser pouco mais nova do que ele.
A menina era morena; de olhos grandes, negros e cheios de vivacidade, de corpo esbelto e flexível como o pendão da imbaúba.
O rapaz era alvo, de cabelos castanhos, de olhar meigo e plácido e em sua fisionomia como em todo o seu ser transluziam indícios de uma índole pacata, doce e branda.
A menina, sentada sobre a relva, despencava um molho de flores silvestres de que estava fabricando um ramalhete, enquanto seu companheiro, atracando-se como um macaco aos galhos das paineiras, balouçava-se no ar, fazia mil passes e piruetas para diverti-la.
Perto deles, espalhados no vargedo, umas três ou quatro vacas e mais algumas reses estavam tosando tranqüilamente o fresco e viçoso capim.
O sol, que já não se via no céu, tocava com uma luz de ouro os topes abaulados dos altos espigões; uma aragem quase imperceptível mal rumorejava pelas abas do capão e esvoaçava por aquelas baixadas cheias de sombra.
- Vamos, Eugênio. São horas... vamos apartar os bezerros e tocar as vacas para a outra banda.
Dizendo isto, a menina levanta-se da relva, e, atirando para trás dos ombros os negros e compridos cabelos, sacudiu do regaço uma nuvem de flores despencadas.
- Pois vamos lá com isso, Margarida, exclamou Eugênio, vindo ao chão de um salto, e ambos foram ajuntar as poucas vacas que ali andavam pastando.
- Arre! com mil diabos!... que bezerrada mofina! - exclamou o rapaz tangendo os bezerros. - Por que é que estes bezerros da tia Umbelina andam sempre assim tão magros?
Ora! pois, que é que você quer? mamãe tira quase todo o leite das vacas, e deixa um pinguinho só para os pobres bezerros. Por isso mesmo quase nenhuma cria pode vingar, e algum que escapa mamãe vende logo.
- E por que é que ela não te dá uma bezerrinha? aquela vermelhinha estava bem bonita para você...
- Qual!... não vê que ela me dá!... e eu que tenho tanta vontade de ter a minha vaquinha. Há que tempo Dindinha prometeu de me dar uma bezerra e até hoje estou esperando...
- Mamãe?... ora!... é porque ela se esqueceu... deixa estar, que eu hei de falar com ela... mas não, eu mesmo é que hei de te dar uma novilha pintada muito bonitinha que eu tenho. Assim como assim, eu tenho de me ir embora mesmo, que quero eu fazer com a criação?
- Como é isso?... - exclamou Margarida com surpresa. - Pois você vai-se embora?...
- Vou, Margarida; pois você ainda não sabia?...
- Eu não; quem me havia de contar? para onde é que você vai, então?
- Vou para o estudo, Margarida; papai mais mamãe querem que eu vá estudar para padre.
- Deveras, Eugênio!... ah! meu Deus!... que idéia!... e é muito longe esse estudo?
- Eu sei lá; eles estão falando que eu vou para Congonhas...
- Congonhas?... ah! já ouvi falar nessa terra; não é onde moram os padres santos?... ah! meu Deus! isso é muito longe!
- Qual longe!... tanta gente já tem ido lá e vem outra vez. Mamãe já mandou fazer batina, sobrepeliz, barrete e tudo. Quando tudo ficar pronto, eu hei de vir cá vestido de padre para você ver que tal fico.
- Tomara eu ver já!... você há de ficar um padrinho bem bonitinho!
- E quando eu for padre, você há de ir por força ouvir a minha primeira missa, não há de, Margarida?...
- Se hei de!... e também mais uma coisa, que hei de fazer... adivinha o que é?...
- O que é?... fala.
- Mamãe costuma dizer, que eu já estou ficando grande, e que daqui a um ano bem posso me confessar, e para isso anda me ensinando doutrina; mas eu não tenho ânimo de me confessar a padre nenhum... Deus me livre! tenho um medo... uma vergonha! mas com você é outro caso estou pronta, e por isso não quero me confessar enquanto você não for padre...